Champanhe

agosto 12, 2009

Michele chegou em casa, abriu a geladeira e encontrou uma garrafa de champanhe encaixada casualmente na parte de baixo da porta, entre uma garrafa d’água e um suco de caixinha. A visão de uma garrafa e champanhe a deixou perturbada. Como qualquer mãe de família, com um filho mais velho adolescente, cogitou por um instante ser dele a garrafa, mas certamente seu filho não era tão burro ou tão desafiador. A única origem plausível para aquela garrafa de espumante era seu marido.

por Monica A.

por Monica A.

No momento em que notou esse fato sentiu uma pontada de excitação subir rapidamente pela coluna. Não se tratava mais de apenas uma garrafa, era uma certeza de que em breve haveria uma surpresa, um motivo para comemorar, e não era para a virada de ano, em pleno Setembro. Com esse pensamento em mente, se direcionou ao quarto. Chegou lá encontrou a cena rotineira: ele se sentava ao pé da cama, de cueca samba-canção, segurando o jornal e, como sempre, fazendo a mesma expressão de discreto amedrontamento com as notícias do mundo. Leia o resto deste post »

Discurso Sobre a Mentira

julho 29, 2009

Após alguns minutos de meditação muito superficial acerca (dentre alguns por menores) do que considero como experiência sensível, me imbuí da penosa tarefa de elaborar uma crítica à verdade, crítica esta que visa demonstrar como essa busca cega e dogmática a ela nos enclausura nos calabouços do saber, monocromatizando a vivência, se utilizando de paradigmas para esfriar as comunhões e minando toda e qualquer manifestação da pureza animal que, com esperança, ainda habita algum oásis na aridez do nosso espírito.

Parece-me que agora, após explanar a intenção do discurso, cabe a mim elaborar alguma forma, um método para melhor conduzir minhas…

por el edukator

por el edukator

– PUTA QUE PARIU !!!! –  A música tribal tocada nas teclas do computador dá lugar a gritos desesperados de retaliação – PORQUE VOCÊ FICA DURO !!!!???? Leia o resto deste post »

Mobiliário funcional

julho 2, 2009

A cama era o único móvel montado na casa. As paredes brancas do quarto estavam cercadas por peças de madeiras de móveis indistintos, iluminados pela luz indireta da noite. Parecia uma paisagem alienígena, reforçada pelo ar pesado, aquela mistura dos cheiros de tinta fresca, poeira e sexo. Deitado com a cabeça virada para os pés da cama, com os olhos fechados, eu tentava recuperar a respiração, enquanto me concentrava ao máximo para não me apaixonar. Não de novo. Queria ignorar a brisa fria que se infiltrava sob os lençóis e só sentia as mãos dela acariciando minha perna. Queria ignorar o som da sua respiração. Queria me concentrar ao ponto em que teria certeza absoluta que não passava de mais uma, daquelas bem mais ou menos.

por .:*ghost*:.

por .:*ghost*:.

Ela se levantou. Eu ignorei. Ela abriu uma caixa e perguntou se podia pegar uma camisa emprestada. Eu ignorei. Ela vestiu a camisa, alisou minha nuca e andou até a porta. “Nem pense em dormir, o que temos para beber nessas suas caixas?” Não pude ignorar. Pendurei minha cabeça para trás, no pé da cama, e olhei para a porta de cabeça para baixo. A luz do corredor acesa desenhava sua silhueta: ela estava de costas, com a cabeça baixa, vestindo minha camisa de botões favorita, branca, que a luz fazia brilhar através do tecido, com ambas as mãos apoiadas na altura de sua cabeça no portal. Não tive coragem de responder. Aliás, nem lembrava que ela tinha perguntado alguma coisa. Leia o resto deste post »

Pedra-sabão

junho 25, 2009

Começou quando o publicitário lusitano Jairo Martin, 37 anos, casado e bem sucedido, foi encontrado morto por sua esposa e seu vizinho nigeriano na sala de seu apartamento. O que circunda a vida e principalmente as circunstancias da morte de Martin, hoje é tido como quase um mito, uma lenda urbana que toma forma e corpo de acordo com a imaginação do narrador, bem como sua sobriedade, neste caso do ouvinte também, visto ainda que é uma historia quase que necessária em mesas de bar da cidade do porto, e foi justamente em uma delas que escutei:

por Bruno Da Silva

por Bruno Da Silva

- Martin nasceu no final da década de 70 já despertando curiosidades. O parto, uma cesariana, ocorreu de forma tranqüila e típica a não ser pelo fato da criança não chorar. Não que isso seja impossível ou absurdamente raro, mas também esta longe de ser normal. Existem estatísticas que comprovam que na maioria esmagadora dos partos as crianças choram. Martin não chorou. Leia o resto deste post »

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