Champanhe
agosto 12, 2009
Michele chegou em casa, abriu a geladeira e encontrou uma garrafa de champanhe encaixada casualmente na parte de baixo da porta, entre uma garrafa d’água e um suco de caixinha. A visão de uma garrafa e champanhe a deixou perturbada. Como qualquer mãe de família, com um filho mais velho adolescente, cogitou por um instante ser dele a garrafa, mas certamente seu filho não era tão burro ou tão desafiador. A única origem plausível para aquela garrafa de espumante era seu marido.

por Monica A.
No momento em que notou esse fato sentiu uma pontada de excitação subir rapidamente pela coluna. Não se tratava mais de apenas uma garrafa, era uma certeza de que em breve haveria uma surpresa, um motivo para comemorar, e não era para a virada de ano, em pleno Setembro. Com esse pensamento em mente, se direcionou ao quarto. Chegou lá encontrou a cena rotineira: ele se sentava ao pé da cama, de cueca samba-canção, segurando o jornal e, como sempre, fazendo a mesma expressão de discreto amedrontamento com as notícias do mundo. Leia o resto deste post »
Mobiliário funcional
julho 2, 2009
A cama era o único móvel montado na casa. As paredes brancas do quarto estavam cercadas por peças de madeiras de móveis indistintos, iluminados pela luz indireta da noite. Parecia uma paisagem alienígena, reforçada pelo ar pesado, aquela mistura dos cheiros de tinta fresca, poeira e sexo. Deitado com a cabeça virada para os pés da cama, com os olhos fechados, eu tentava recuperar a respiração, enquanto me concentrava ao máximo para não me apaixonar. Não de novo. Queria ignorar a brisa fria que se infiltrava sob os lençóis e só sentia as mãos dela acariciando minha perna. Queria ignorar o som da sua respiração. Queria me concentrar ao ponto em que teria certeza absoluta que não passava de mais uma, daquelas bem mais ou menos.
Ela se levantou. Eu ignorei. Ela abriu uma caixa e perguntou se podia pegar uma camisa emprestada. Eu ignorei. Ela vestiu a camisa, alisou minha nuca e andou até a porta. “Nem pense em dormir, o que temos para beber nessas suas caixas?” Não pude ignorar. Pendurei minha cabeça para trás, no pé da cama, e olhei para a porta de cabeça para baixo. A luz do corredor acesa desenhava sua silhueta: ela estava de costas, com a cabeça baixa, vestindo minha camisa de botões favorita, branca, que a luz fazia brilhar através do tecido, com ambas as mãos apoiadas na altura de sua cabeça no portal. Não tive coragem de responder. Aliás, nem lembrava que ela tinha perguntado alguma coisa. Leia o resto deste post »
